O Open Video é um movimento que visa a integrar conteúdo e tecnologia livres para que uma nova forma de se fazer vídeo online apareça. Em conceito e técnica, é a forma mais eficiente para a superação do atraso do vídeo em relação a outras mídias na plataforma web. Sabemos que, apesar de sua crescente produção, publicação e consumo na internet, o vídeo é uma mídia que pouco incorporou a rede em seu formato, linguagem e recursos. Com isso, nós, produtores de conteúdo, perdemos uma vasta gama de possibilidades de formatos para transmitir informação audiovisual na rede.
A web possibilita participação ativa do receptor do conteúdo, integração com outros conteúdos e informações, tráfego rápido pelo conteúdo do material, navegabilidade, integração com aplicativos e mais muita (muuuuita) coisa. Acontece que, em 2010, a forma com que o vídeo é entregue às pessoas na rede ainda é muito semelhante à forma com que ele chegava na era analógica: um bloco de frames intocáveis, a que agora você assiste e, no máximo, comenta, insere anotações, envia para amigos e, às vezes, consegue baixar. Numa comparação rápida, seria mais ou menos como os jornais online serem apresentados em arquivos de imagem das páginas impressas scaneadas.
Para aproveitar as possibilidades da web, um vídeo publicado na rede precisa ser: acessível – assistir a um vídeo na internet tem que ser tão simples quanto consumir qualquer outra mídia na rede; fluido, transitável e editável pelo usuário – não é bom o bastante apenas publicar um vídeo na internet, se a única coisa que o usuário puder fazer com ele for assistir; de fácil localização da informação desejada – é preciso que quem assiste possa encontrar a parte que lhe interessa sem que seja necessário assistir a todo o vídeo; navegável e integrável a outros vídeos, informações, textos, infográficos e etc.
O Openvideo é um movimento que busca unir produtores de vídeo, desenvolvedores, articuladores culturais e quem mais quiser participar para que essa perspectiva seja concretizada.
Experiências e perspectivas
Se conseguirem aplicar as premissas acima, os produtores de vídeo ganharão uma infinidade de possibilidades de comunicação com o vídeo online. Algumas experiências já apontam neste sentido. O projeto Metavid, por exemplo, permite que se navegue pelo vídeo por meio da transcrição (em texto) de discursos de parlamentares norte-americanos. Ou seja: encontrar o momento de interesse no vídeo fica muito mais fácil. Outros projetos já incorporam a timeline de tags, para indicar de maneira resumida qual o assunto tratado nos diferentes trechos do vídeo. Mas as possibilidades das quais estamos falando trazem mudanças muito mais profundas; podem alterar substancialmente o conteúdo que poderemos transmitir com vídeos online. Uma ideia, ainda não aplicada (pelo menos que eu saiba), que surgiu em uma das mesas da Open Video Alliance Conference, em junho de 2009, foi a de criar um aplicativo de reconhecimento de face que, na web, buscaria outras informações sobre a pessoa no vídeo. O exemplo que foi dado era, no mínimo, muito interessante: um aplicativo que plotasse informações sobre quem financiou a campanha de um determinado político sempre que ele aparecesse em um vídeo. Imagine um deputado discursando sobre etanol e, ao lado, uma camada de informação que nos dissesse se a campanha dele foi financiada por usineiros ou produtores de petróleo?
O que precisamos fazer
Para que essa e outras ideias sejam incorporadas à rotina dos produtores de vídeo na web, é fundamental que profissionais de conteúdo e de desenvolvimento trabalhem juntos para começar a criar estes e muitos outros aplicativos/softwares/ferramentas/etc. Os produtores de conteúdo precisam saber o que pode ser feito em vídeos online, precisam pensar além do formato analógico que vem se mantendo em meio digital. E, importante lembrar, têm que se fazer parte ativa do processo, e não mais aguardar as novidades dos desenvolvedores para depois aplicá-las em seu dia a dia. É fundamental também que estes experimentos aconteçam com tecnologias livres, pois a liberdade para recriação deixará o processo mais rápido – convenhamos que já estamos atrasados o suficiente.